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segunda-feira, novembro 06, 2006

As folhas secas de Outono

As folhas secas de outono
ao cair eram douradas
mas desfizeram-se em pó
no chão ao serem pisadas
Mas se acaso ardem no lume
acordam do triste sono
são de ouro e cobre polido
as folhas secas de outono

Outono

As folhinhas lá do alto
levemente a cair
anunciam o outono
e o mau tempo está p'ra vir.
lá vai uma, lá vão duas,
Três folhinhas a voar
uma é minha
outra é tua
outra é de quem apanhar( refrão)
A 1.ª é vermelhinha
a 2ª é amarela
a 3ª é castanhinha
qual das 3 é a mais bela.
lá está uma,
lá estao duas
Três folhinhas já caidas
o outono é mesmo assim
deixa as arvores despidinhas.
musica : musica das pombinhas

Castanha, castanhinha

Oh castanha, castanhinha
desce do castanheiro
vais ficar bem assadinha
nas brasas do fogareiro
olé, olá, ai que lindo castanheiro
olá, olé, ai que boa que ela é

domingo, novembro 05, 2006

Sou...

Sou um castanheiro
Sou alto, alto, alto
Sou um castanheiro
Não pulo e não salto
Sou um ouriço
Que pico, pico, pico
Se alguém me apanha
Salta logo um grito
Sou uma castanha
Redonda, redondinha
Quando alguém me apanha
Mete-me na boquinha

quinta-feira, novembro 02, 2006

S. Martinho

Outono, que linda estação!
Logo a seguir ao Verão
A comer castanhas ao serão
assadas no fogão.

Com o frio a chegar
E a natureza a se transformar
Ao castanheiro vou trepar
Para as castanhas ir buscar.

O S. Martinho está a chegar
A lareira vou ter de acender
Para castanhas assar
E contigo as comer.

Que lindo é o Outono,
Que lindo que é!
Uvas e castanhas
Deu-me o avô Zé.
Alexandra Lima Roque

São Martinho

Todo o dia a apanhar chuva
Coitado do vendedor
Mas à beira das castanhas
Fica cheio de calor

Do ouriço saiem as castanhas
Para eu as assar
Saio de casa cheia de frio
Para ir à rua comprar

São Martinho, São Martinho
São Martinho folgazão
Dá-me as castanhas e o vinho
Para aquecer o coração
Mónica Alexandra

S. Martinho

Vivam as castanhas
viva o S. Martinho
as castanhas são boas
com um copo de vinho.

O homem anda por aí
ele anda a trabalhar
ele vende as castanhas
que é para se sustentar

Ele anda a chorar
não anda a brincar
quem lhe dera, quem lhe dera
andar a passear.

Vamos a elas, vamos a elas
elas são castanhinhas
são boas, são boas
e também são gostosinhas.

As castanhinhas são boas
assadinhas com sal
podes come-las à vontade
que não te fazem mal.

As castanhinhas boas são
elas podem ser assadas
elas aquecem-nos o coração
e também podem ser grilhadas.
Sandra Adelaide M. Antunes

Castanhas

Castanhas na brasa
De casca a estalar,
Vós sois o regalo
Do meu paladar.

Os ouriços a sorrir
Mostram no seu interior
As castanhas a dormir
Numa alcofa de rigor.

O vendedor de castanhas
Lá anda, de rua em rua,
Vendendo castanhas quentes
No dia triste com bruma.

Diogo Luís

As Castanhas

Castanhas, Castanhas
Tão quentinhas com sal.
Quentinhas e assadinhas
A ninguém faz mal.

Castanhas assadinhas
Com sal são saborosas.
Quentinhas e boas
São tão gostosas!

Filipe Ramos

A dona Castanha

No grande castanhal
do Sr. Juvenal
o Sr. Castanheiro
quis ser o primeiro
a encher-se de ouriços
tão cheios de picos
para o dono alegrar.

O Sr. Ouriço
que é muito castiço
chegado o Outono
sorriu para o dono
que ia a passar
mostrando a castanha
que era tamanha.
Passado um mês,
semanas talvez,
a dona Castanha,
que era tamanha,
foi com as irmãs
e primas, tanto faz,
parar ao magusto
da escola do Augusto
que é bom rapaz.
Foi festa animada
p´ra rapaziada:
saltar a fogueira;
mas que brincadeira!
Castanhas papadas,
mãos enfarruscadas,
dia bem passado,
alegre e animado.
que grande folia!
E o Sr. Juvenal,
dono do castanhal,
encostou-se então
junto do portão,
vendo a pequenada
voltando cansada
p´ra casa dos pais.
P´ró ano há mais!
E então o Luís
sorriu bem feliz
dizendo: OBRIGADO!

Patrícia Costa Martins

A Menina e o Castanheiro

Era uma vez uma menina que fazia anos no dia de São Martinho.
Ela gostava muito de castanhas e todos os dias ia ao pomar buscar castanhas do castanheiro.
A menina ficou amiga do castanheiro e contava-lhe muitas histórias sobre a Cinderela e os seus amigos ratinhos.O Castanheiro contava histórias sobre os pássaros que viviam nos seus ramos.
Quando chegou o Dia de São Martinho, o castanheiro ofereceu à menina muitas castanhas e então os dois fizeram uma festa e convidaram os seus amigos.

Patrícia Costa Martins

Algumas ideias Outono e Magusto





































quinta-feira, outubro 26, 2006

Maria Castanha

Narrador: O céu estava todo cinzento e quase não se via o sol, mas enquanto não chovia as meninas brincavam no jardim, por entre as folhas secas que caíam das árvores e voavam para longe. Era bom ir ao jardim. Uma vez apareceu no jardim uma menina diferente, não tinha as bochechas encarnadas, mas tinha uma carinha redonda, castanha, com dois grandes olhos escuros e brilhantes.

Maria Castanha: Olá, está tudo bem? Eu sou nova aqui no jardim e não tenho amigos. Vocês querem ser meus amigos?

Menina 1: Olá, como te chamas?

Menina 2: Não te conheço!

Maria Castanha: Eu sou a Maria Castanha!

Meninas: Queres vir brincar?

Maria Castanha: Quero!

Narrador: Foram brincar ao jogo do apanha, a Maria Castanha corria mais que todas.

Maria Castanha: Quem me apanha? Ninguém me apanha?

Narrador: Ela corria tanto que nem viu o carrinho do vendedor de castanhas que estava parado no jardim e foi de encontro a ele. O saco das castanhas caiu e espalharam-se todas pelo chão. A Maria Castanha também caiu. A Maria pediu desculpa ao vendedor e disse que tinha sido sem querer.

Vendedor: Oh! Já viram o que esta menina fez? E agora como vou vender as minhas castanhas? Acham que devo castigá-la?

Maria Castanha: Mas foi sem querer!

Vendedor: Está bem, mas agora tu e as tuas amigas podem vir ajudar-me a assar mais castanhas.

Narrador: E assim, o vendedor e as meninas ficaram todos amigos e quando se encontram no jardim fazem a festa da castanha.

quarta-feira, outubro 25, 2006

Carimbos com batatas - Folhas de Outono

1- Cortem a batata em duas.

2- Desenhem uma folha muito simples.

3- Retirem o que está à volta para ela ficar em relevo.

4- Molhem o motivo na aguarela.

5- Carimbem as folhas no papel.

Teatro do Outono

NARRADOR: A vida corria tranquila naquele povoado. As pessoas trabalhavam nos campos e por todo o lado se viam campos de milho pronto para ser cortado. Estava-se na época das desfolhadas. Só algo parecia ser diferente: era a Casa dos Três Pinheiros. Tratava-se de uma antiga construção do século passado, que estava abandonada, e até havia quem dissesse que ali vivia um fantasma. Pois bem, nessa casa estava-se a passar algo muito estranho.
No fim da tarde, o Bruno e a Sara voltavam a casa de bicicleta pelo caminho do bosque. Eram as últimas tardes de Verão e eles gostavam de escutar os passáros e ver os bichinhos que ali viviam.

BRUNO: É uma pena que o Verão esteja a terminar, não é, Sara?

SARA: Sim, mas as outras estações também são formosas. Olha, parece que está alguém na casa dos Três Pinheiros!

BRUNO: Que estranho. Quem andará por lá ?

SARA: Vais ver que há lá mesmo um fantasma.

NARRADOR: Os meninos foram-se aproximando da mansão.

SARA: Estou a ficar com um pouco de medo. E tu?

BRUNO: Não tenhas medo! Certamente é alguém que acabou de se mudar. Vamos ver !

NARRADOR: Bruno e Sara aproximaram-se de uma janela que estava entreaberta e olharam para o interior. Eles viram a uma formosa rapariga que cantarolava uma melodia enquanto cozinhava.

BRUNO: Estás a ver?!! Era o que eu dizia: é uma nova vizinha.

FADA: Olá, garotos! Entrem, entrem.

NARRADOR: Os meninos entraram na casa e viram que nem parecia que estava há tantos anos abandonada: tinha almofadas, cortinas e os movéis não tinham nem um bocadinho de pó.

SARA: Tudo está tão lindo! Você deve ter tido muito trabalho para deixar tudo isto limpo !

FADA: É verdade... Mas sentem-se e provem as compotas e bebam sumo. É tudo para vocês.

MENINOS: Para nós? Mas, como, se você não sabia que a gente vinha?! Ou sabia ?

FADA: Como não ia saber se eu sei de tudo?!

MENINOS: Tudo ?

FADA: Sim, tudo! Eu sou Tatiana, a Fada do Outono.

MENINOS: Uma fada?! Nós nunca vimos uma!

NARRADOR: Tiana trouxe um prato com muitas torradas estaladiças.

SARA: Ah, que saborosas! Podemos comer ?

FADA: Mas é claro ! Para isso as fiz.

NARRADOR: Os garotos aproximaram-se para provar as compotas, quando escutaram uns murmúrios. Olharam, sobressaltados, para cima de um armário e viram três potes que pareciam ser de ouro.

SARA: Aqueles potes são mágicos?

FADA:Sim! São potes mágicos. Ensinam a amar o Outono. Recordas que eu sou a fada do Outono; eu sacudo as árvores com a minha varinha para que as folhas caiam e vou pintando o bosque de cores douradas com um pincel mágico. Já não falta muito para começar a usar os meus poderes mágicos.

NARRADOR: O Bruno e a Sara estavam tão entusiasmados que a fada Tatiana foi buscar os potes e pousou-os em cima da mesa.

SARA: Que potes tão bonitos ! O que guardas aí?

FADA: Neste primeiro guardo o vento do Outono.

MENINOS: Uauuuuu !

FADA: No segundo guardo as primeiras chuvas do Outono e no terceiro guardo os raios do sol de Outono.

BRUNO: Que bonito deve ficar o Outono !

SARA: E para que os guardas aí ?

FADA: Quando o Verão está a terminar , eu levanto as tampas dos três potes e deixo sair o vento, a chuva e os raios dourados de sol.

BRUNO: Pois sim, o Outono vai ser bonito.

FADA: Claro! Todas estações são bonitas, só é preciso que se aprecie a Natureza em redor.

NARRADOR: O Bruno e a Sara compreenderam que o Outono também era bonito. Correram para casa , e, quando chegou o Outono, saudaram o vento, os raios do sol...e até a chuva. Tatiana, a fada do Outono, passeava pelo céu, de bicicleta, pintando a Natureza de amarelo, dourado, castanho e vermelho.

quinta-feira, outubro 19, 2006

Medronheiro

O medronheiro, também conhecido por Arbutus unedo, é um arbusto que por vezes consegue assemelhar-se a uma árvore porque consegue crescer até aos 10m de altura, embora normalmente não ultrapasse os 5m. Ao contrário do castanheiro, o medronheiro tem folhas o ano inteiro.

Os seus frutos, os medronhos, são bolas vermelhas com cerca de 2cm. Quando estão maduros, consegue-se ver as suas muitas sementes que existem em cada medronho, porque são pequenas bolas castanhas que parecem estar coladas ao fruto.
A flor desta planta, surge normalmente na altura em que existem medronhos, o que dá ao arbusto um aspecto muito bonito.
O medronheiro é excelente para fazer aguardente. As folhas e a casca têm uma substância chamada Tanino, que é óptima para curtir as peles, curar diarreias, infecções urinárias, entre várias outras doenças. A madeira é óptima para tornear e para fazer lume nas lareiras e salamandras.

Castanheiro

O castanheiro, também conhecido por Castanea sativa, é uma árvore muito grande que pode atingir 20 a 30m de altura e viver muitas centenas de anos.
No Outono, depois de nos oferecer as suas castanhas, despe-se das folhas e adormece para melhor passar o Inverno. No início da Primavera volta a acordar, nascendo então novas folhas em forma de lança e cheias de pequenos dentes.
Entre os meses de Maio e Julho nascem do pé das folhas uns cachos compridos de flores amarelas que libertam um cheiro muito forte, que atrai as abelhas e muitos outros insectos.
Dentro dos ouriços crescem as castanhas que normalmente são três. A sua madeira é excelente para se fazerem cestos, tonéis de vinho, mobílias, portas e soalhos para as casas.
O seu fruto, a castanha, foi desde há muito apreciado nas receitas culinárias.

A aventura da castanha e do medronho.

- Pai!!! Pai!!! - Gritava o pequeno medronho pendurado do ramo do medronheiro. – Estou a ficar vermelho!!! Olha bem para mim!!!

- Ah! Ah! Ah! – Riam os seus irmãos mais velhos enquanto o pai medronheiro, cheio de satisfação, mostrava os seus filhos medronhos ao astro rei: o sol.

- Estás a ficar maduro, mano novo. – Dizia um medronho mais velho. – Daqui a alguns dias estás bastante vermelho e doce como eu…

- Quando é que nós amadurecemos? – Perguntaram impacientes outros medronhos ainda verdes.
- Calma filhos! – Interviu o medronheiro. – Cada um de vocês terá o seu tempo próprio para amadurecer. Uns amadurecem mais cedo e os outros mais tarde. Assim podem alimentar durante muito mais tempo, as aves que nesta altura do ano começam a ter pouca comida.

- …Como eu por exemplo, que já hoje levei três bicadas aqui de lado – disse um medronho gordo e muito vermelho do cimo do medronheiro – Primeiro foi uma toutinegra, depois foi uma carriça que saltando de ramo em ramo, provou um pouco de cada medronho que encontrava. Por último foi um …

E já não teve tempo de acabar, porque um grande melro de bico amarelo, engoliu de uma só vez o que restava daquele saboroso medronho.

- Oooohh!!! – Disseram em coro e com medo os outros medronhos.
- Não se assustem. – Disse o pai medronheiro – o vosso irmão está muito contente, porque já cumpriu uma das três missões dos medronhos.

- Que missões? – Perguntou um medronho ainda em tom verde amarelado.

- Alguns medronhos matam a fome a vários animais, como as aves, por exemplo; outros se não forem comidos, conseguem reproduzir-se, nascendo assim novos medronheiros; outros ainda, podem ser apanhados pelo Homem, que depois os transforma em aguardente de medronho.

- Eu, por exemplo, quero ser um grande medronheiro – disse entusiasmado o medronho com que começou a nossa história.

A conversa continuou entre pai e filhos. De vez em quando surgia uma ave faminta que comia um ou outro medronho mais apetitoso.
O dia estava a mudar, o sol que há pouco sorria no céu, estava agora a ficar escondido atrás de uma nuvem ameaçadora. O vento começava a soprar e uns metros acima do medronheiro, um ouriço balouçava pendurado no ramo de um castanheiro.

De dentro do ouriço espreitavam três castanhas que a qualquer momento estavam prontas a saltar da sua protecção. O pai castanheiro, uma árvore já muito antiga, dizia ter pelo menos 400 anos.

Tinha uns troncos grossos, compridos e cheios de rugas. Nos seus ramos, balouçavam ainda ao vento muitos ouriços cheios de castanhas.

O pai de todas elas achava-se ainda um jovem. Costumava falar assim aos seus filhos: “- Dizem os Homens, que os castanheiros demoram 300 anos a crescer, 300 anos a viver e 300 anos a morrer”. Se têm razão, não sabemos, o certo é que existem em Portugal muitos castanheiros centenários e até existe pelo menos um, com cerca de mil e duzentos anos. Vive ali para os lados da Arrifana no distrito da Guarda.
Ora, estando o castanheiro e o medronheiro, neste mês de Novembro, orgulhosos de tantos filhos, eis que o céu escureceu, e com vento e chuva fortes os seus ramos rodopiavam num frenesim nunca visto. As folhas batiam umas nas outras enquanto os ramos se dobram, ora para a esquerda, ora para a direita, ora para cima, ora para baixo, sempre ao sabor do vento.

De um momento para o outro, castanhas e medronhos soltaram-se e voaram em todas as direcções aterrando uns longe, e outros perto das árvores onde até há pouco ainda estavam pendurados.
Depois desta confusão, e já com o vento calmo, foram poucos os que conseguiram resistir. Lá bem alto, balouçava um ouriço com uma só castanha escondida e assustada. Cá em baixo, o nosso amigo medronho, o tal com que iniciámos a nossa história, sentia que a qualquer momento também ele se iria desprender, pois sabia que já estava maduro e sem forças para resistir.

De repente, olhou para cima e, na sua direcção viu cair o ouriço que acabara por não se aguentar mais tempo no castanheiro.
Arrastado para o chão, o nosso amigo medronho viu-se espetado nos bicos do ouriço e lamentando a sua sorte disse: - Desgraçado de mim, tanto quis ser um medronheiro... e afinal não passo de um medronho desfeito e sem piada. Já nem as aves me querem comer.

- Então e eu? – Interrompeu uma voz vinda de dentro do ouriço. – Eu queria ser castanheiro!!! Vê lá bem a minha sorte, que caí mesmo debaixo do meu pai. Não vou conseguir crescer aqui, porque ele não vai deixar-me. Teria que ir cair longe, mas olha onde fiquei...

- Quem és tu? – Perguntou o medronho espantado.

- Sou uma castanha, sem sorte e sem forças para conseguir sair de dentro deste ouriço. As minhas irmãs tiveram muita sorte, mas eu... – Lamentou-se a triste castanha.
Entretanto o dia foi passando e a noite chegou. Longe da protecção dos seus pais, estes dois frutos não conseguiram adormecer. Toda a noite ouviram ruídos estranhos, que até aí nunca se tinham apercebido.

Por eles, passou um ouriço-cacheiro à procura de castanhas para o seu jantar. Apesar de tanto se queixar, a nossa amiga castanha percebeu que afinal era bem melhor estar dentro do ouriço que a protegia, do que ter ficado ao relento, sujeita a ser comida pelo ouriço-cacheiro.

Por ali passaram também uma raposa, alguns ratos-do-campo, uma coruja-do-mato e até um mocho-galego.
Quando recomeçou a chover, o medronho e a castanha apanharam um susto de morte. Desenterrando-se do chão, onde estava escondido, um sapo-de-unha-preta decidiu passear um pouco, e levantou nas suas costas o ouriço com a castanha e o medronho. Rebolando para o lado, estes nossos amigos voltaram a assustar-se, porque sentiram o chão a tremer. Viram vir na sua direcção um vulto muito grande que foçava e soprava ao mesmo tempo. Era um enorme javali, que aparecera para também ele comer castanhas e medronhos.

Brancos de medo e em silêncio, os dois frutos foram sendo arrastados, presos ao ouriço para bem longe dali, uma vez que o javali não parava de foçar o chão à procura de castanhas, medronhos, raízes e outras sementes e, sempre que lhes tocava, aí iam eles para mais longe.
Quando o dia nasceu, o medronho olhou em volta e chamou pela castanha:

- Castanha! Acorda castanha!!!

De dentro do ouriço ninguém respondeu. O silêncio era total e pela primeira vez o medronho sentiu-se sozinho.

- Castanhaaaaa!!! – Gritou ele em voz alta. – Onde estás tu?

Vindo um pouco mais de longe ouviu a resposta: - Estou aqui!!! És tu medronho?

Sim sou eu – respondeu o medronho – onde estás tu?

- Não sei. - Disse a castanha. - Caí de dentro do ouriço quando o javali foçava a terra e fiquei aqui perdida...

- E estás bem? – Perguntou o medronho.

- Não sei. Passa-se algo muito estranho comigo! – Gritou a castanha – Tenho-me sentido a inchar e já saiu de dentro de mim uma perna clara que parece estar a querer espetar-se na terra!

- Ah! Ah! Ah! Não te assustes! – Gritou o medronho. – Daqui a pouco vais sentir também um outro braço a crescer para cima e um dia destes acabamos por nos cumprimentar. Nessa altura já seremos plantas com folhas. Não vês que estás a tornar-te uma árvore?

- A sério?!? Boa! E tu? – Perguntou a castanha.

- Eu, com a chuva acabei por me desfazer, espalhando as minhas milhares de sementes ao longo do caminho. Agora espero que pelo menos uma delas germine e cresça dando um belo e grande medronheiro. – Disse o medronho.
Entretanto os dias foram passando e com a ajuda da humidade os nossos dois amigos conseguiram finalmente serem aquilo que tanto desejavam: árvore e arbusto tal como os seus pais.

Um dia na Primavera já mais altos que as ervas do chão, reconheceram-se finalmente, e olhando em volta repararam que para além deles e dos seus pais, também muitos dos seus irmãos estavam ali crescidos e espalhados pelo campo.
Agora neste Parque Natural, cresce mais uma jovem floresta com árvores e arbustos naturais da região. Entre castanheiros, medronheiros e muitas outras árvores e arbustos, os animais podem hoje abrigar-se, alimentar-se e até reproduzir-se.

Quim Ferreira

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